quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Aquela Voz

Aquela voz
Seria capaz de me levantar dos mortos
Aquela voz
Poderia me fazer rir ou chorar desesperado
Aquela voz que despertava urgência em meu ser
O grave reticente
E a expressão que vinha junto
Ao pronunciar cada palavra
Aquela voz seria capaz de me comandar
Me hipnotizar
Me fazer chorar, deitar, gemer, gritar
Me fazer amar
Aquela voz
Mais afiada que espada
Embora tão aveludada
Uma arma, um chicote
Aquela voz
Aquele som
Um sino de Notre-Dame
Ecoando em minha mente
E o Quasimodo sou eu
Aquela voz
Era minha demais
Só minha
E não é mais
Não mais ressoa em meus ouvidos
Não sei que eco ela faz
Não sei o que desperta em quem a ouve agora
O mesmo carinho ou a mesma derrota
Que despertavam em mim
Não sei se canta ou arrota
Mas cantava para mim
Canções que não esqueço
E canto quando anoiteço
Quando bebo sem parar
Quando penso num segundo
Que se foi pra não voltar
E aquela voz
Ainda vive
Quando sonho e quando acordo
Tão doce e tão amarga
Tão azeitada
Que eu tanto ansiava
Minha droga, meu inverno
Que parecia eterno
Mas findou
Aquela voz
Me mudou
Aquela voz
Me matou
Aquela voz

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A rosa na escada


Só havia cinza ao redor.
Rostos brancos a passar.
Procissão de gente
Indo a nenhum lugar.

Eu tocava as pedras frias
das paredes me cercando.
Uma cidade de sonho.
Cor sou eu, que estou amando.

Eu corro querendo você.
Meu templo, meu santuário.
Corro tentando te ver;
Um pouco de cor
num mundo grisalho.

E ao passar não sentia
nem o vento nem a estrada.
So a pressa que crescia
enquanto eu te procurava.

Via prédios ao inverso.
E eis que na escadaria,
ora certa, ora invertida,
um ponto escarlate eu avisto.

A rosa que eu perseguia
e que agora eu encontrava,
era ela, mulher, cigana,
por quem eu me apaixonava.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Eu vou te amar
Até o dia em que os Céus
Resolverem cair sobre a terra,
O mar deixar de existir
E o Sol ficar tão quente
Que a vida seria impossível.
Só deixaria de te amar
No dia em que minha alma imortal
Desaparecesse da existência.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Térmico

O que me tornei?
Todo fim tem um princípio.
A morte que sofri, me trouxe nova vida.
Não foi o que planejei
Mas mesmo assim saudei sua vinda.

Talvez seja essa a sina:
Viver me transformando
Sendo outro a cada esquina
As roupagens ir trocando
A cada passo do caminho
A cada beijo, a cada carinho
Ser frio ou estar amando.

Não consigo ser só morno
Tenho que ser fogo ardente
Sou intenso, frio ou quente.
Queimo o gelo, gelo a chama
Quando pelo meu nome chama
Inerte mas envolvente.

E quem não se apaixonou
Pela seca voz da morte
e seu gélido beijo de outono?
Quem não quer sentar no trono
Que a Perséfone pertence?
Mesmo que Deméter lamente
É com Hécate que eu sonho.

Foto de Floriana Barbu (aqui)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Rogo da Sacerdotisa

Encontrei esse texto na internet e achei ótimo para ser pensado...
Escrito por Gaia Lil

"Ainda que eu morra e viva sozinha,
Eu ainda serei a Sacerdotisa.
Ainda que só eu
Ainda respeite os Velhos Mistérios,
Eu ainda terei o controle da Teia da Vida.
Ainda que eu seja apedrejada e negada por mil anos,
Eu ainda serei a Sacerdotisa .
Ainda que eu seja difamada.
Que eu seja mal falada,
Eu ainda saberei os Mistérios do Prazer.
Ainda que mil vozes e mil espíritos
Gritem a mim :
"Teu caminho não é o da Sacerdotisa",
Eu ainda serei uma Sacerdotisa.
Ainda que me roubem as vestes sagradas,
Ainda que eu não possa queimar ervas
E comungar com os espíritos da noite,
Eu ainda serei a Sacerdotisa.
Ainda que eu esqueça todos os Mistérios,
Eu ainda serei a Sacerdotisa.
Pois uma única coisa jamais eu esquecerei:
Que eu sou a força e a vontade da Deusa
Se manifestando na Terra."

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Celebração



Não mais! - disse a mim mesmo.
E eu estava certo.
A época das dores passou,
Só que eu não estava aberto.

Mas agora é diferente.
Ando pelas ruas e vejo gente
E elas me veem também.

O preto e o branco ficaram para trás.
Só há luz nos meus olhos
Em tons de verde e azul.
Só há luz e nada mais.

Meus cabelos seguem o vento
Num balanço que me dá prazer.
Entendo a lingua da brisa,
Sei o que ela quer dizer

Escuto o chamado da Lua.
Ela canta pelo meu sangue
E me chama pra dançar a Runa
Pela noite enebriante.

E minha maré sobe e desce
Como as águas do oceano.
E no extase da dança,
no sussuro do feitiço,
na risada de criança
Eu danço...

Não mais! - digo a mim mesmo
E eu estou certo
A dor ficou no passado
E agora estou completo.

sábado, 21 de novembro de 2009

Devaneio

Hoje sonhei com você
E que angústia eu senti!
Não era você, mas era você,
Não era.... você... era?

Lembro das feições,
Do jeito de ser,
Não podia ser você!
Mas era para ser...

E a voz não era sua,
Nem seu rosto também
Mas era eu no chuveiro
Conversando com alguém
Que era você,
Mas não era para ser...

E ao final do banho,
Eu acordei estranho.
E agora, ao final do dia...
Estranho! Eu acordei

Agora eu sei
Que não é mais você.
Era para ser
Mas eu me lavei
No sonho e na realidade.
Não há mais você dentro de mim.
Renasci para a felicidade
Meu destino pertence a mim.